Evitando o desperdício

Evitando o desperdício

No mês de julho participei de um evento promovido pela Qualirede, na Unidas, em São Paulo, e gostaria de compartilhar neste canal algumas ideias que a Irene Minikovski Hahn nos apresentou sobre o tema DESPERDÍCIO.

Importante destacar que embora as ideias não sejam minhas, divulgo porque concordo com as ideias e aspectos destacados e nosso intuito é alertar ao cliente Strategy sobre medidas e iniciativas simples que podem trazer um impacto positivo em seu negócio. Um dos desafios relevantes da atualidade é gerenciar os doentes crônicos sem agregar mais custo ou fazê-lo com baixo custo o empresariado, que representa 66% do mercado em número de clientes, está atento a necessidade de integrar a atenção à saúde e as operadoras devem iniciar sua jornada na construção de um novo modelo. A seguir algumas ideias para reflexão:

  1. Overuse: o desperdício baseado no excesso de utilização é significativo, só em Tomografia e Ressonâncias no ano 2016 foram 149 para cada 1.000 beneficiários. Dados internacionais apontam para uma necessidade de 52 (Canadá). É necessário desempenhar a gestão da rede de atendimento com rigidez: monitorar os indicadores e tomar atitudes seguindo o modelo (1) alerta, (2) notifica, (3) suspende e (4) descredencia o mau prestador.
  2. Baduse: Aspecto importante que se reflete em desperdício é a atuação de profissionais que se auto intitulam especialistas, sem ter título de especialidade ou qualquer preparo e que atuam baseado apenas na prática clínica, sem o apoio da evidência científica ou preparo adequado na execução de procedimentos.
  3. Baduse: Laboratórios de raioX e outros exames de imagem sem nenhuma certificação, e depois vc observa na carteira de clientes uma alta taxa de diagnóstico de câncer de mama avançado em pacientes que faziam exames periódicos nestes fornecedores. Embora exista mais de 5 mil mamógrafos no Brasil existe menos de 150 certificados.
  4. Análise de desempenho de rede deve avaliar o percurso integral do paciente até sanar seu problema de saúde, desde o diagnóstico até a alta final, avaliando por recurso e por equipe médica a eficiência de cada um. DRG Brasil é uma excelente ferramenta para esta finalidade
  5. Mapear os eventos de alto custo, agrupando por natureza, e promover auditoria com médicos especialistas, intensivistas para casos de ÚTI, cardiologista para o tentações cardíacas, etc. Neste aspecto, a nutrição tem sido foco na gestão de despesas assistenciais, pois existem itens na tabela Simplo que tem valor de referência 10x o valor em farmácia. Uma estratégia que vemos ser adotada é a introdução de protocolos para os produtos nutricionais além de um programa terapêutico com acompanhamento de profissional especializado (nutricionista).
  6. Fracionamento de medicamentos é indispensável para reduzir desperdício de recursos, avalie e incentive a implantação na sua rede de atendimento, busque parceiros que possam viabilizar a implantação e trazer melhor aproveitamento dos recursos da saúde suplementar.
  7. Percebemos como uma prática bastante comum nos contratos de credenciamentos habilitar a clinica ou o laboratório para atendimento de determinados planos. Como a clinica /laboratóio tem interesse em ampliar sua atuação, ela atua de forma a  incorporar novos equipamentos sem qualquer necessidade de negociar a inclusão do serviço, agregando cada vez mais despesa assistencial pela ampliação de rede.
  8. Um grande gargalo de desperdício são as estruturas hospitalares com  menos de 80% de taxa de ocupação e pequeno número de leitos, pois neste porte não há eficiência de processos porque não se tem número de repetições suficientes.


Finalmente, abordamos aqui algumas estratégias que recomendamos:

  1. Na análise de contas médicas adotar um workflow, protocolos pre definidos, 
  2. Alçadas por tipo de auditor desde o analista administrativo até o médico especialista. 
  3. Investir em capacitação continua, fazer a gestão da segurança do paciente e auditoria clinica.
  4. Adoção de segunda opinião para casos cirúrgicos eletivos
  5. Coordenação do cuidado e navegador de rede
  6. Implantar uma gestão de relacionamento com o prestador ao invés de apenas negociar reajuste, é importante qualificar e fidelizar o prestador de serviço, introduzir indicadores de desempenho e promover a melhoria contínua.
  7. Rever modelos de remuneração de prestadores passando a adotar modelos mistos que sejam exclusivos "Fee For Service" que estimulam a alta frequência nem exclusivamente baseados em modelos populacionais (Capitation) que geram o risco de desassistir o beneficiário, introduzindo elementos de performance e qualidade dos desfechos.

 

Raquel Marimon
Presidente
Strategy Consultoria Atuarial e Regulatória


Data do artigo: 03/08/2017