Overuse na Saúde Suplementar

 

Overuse na Saúde Suplementar
 

Muito se fala em minimizar os custos na saúde suplementar, e cada vez mais verifica-se que estes só fazem aumentar, pois o total arrecadado com as mensalidades está insuficiente para pagar todas as despesas incorridas pelas operadoras.  Isso ocorre por diversos fatores, como por exemplo o atual aumento do Rol de Procedimentos, no qual impactará diretamente nos custos, a máfia das OPME´s, entre outros.

Na última quinta-feira, dia 30/11/17, estive em evento realizado pelo Grupo Criarmed, na IV Edição do Fórum Hospitais Compliance, que abordou acerca do uso desnecessário e em não conformidade dos serviços de saúde, o Overuse.

A utilização desnecessária e a falta de transparência inviabiliza financeiramente todo o sistema. Nos EUA esse percentual de gastos chega a mais de 30% do PIB, e no Brasil essa estimativa está próxima dessa realidade.

Todos esperam ter um sistema de saúde justo e eficaz, e com a inovação tecnológica. Pacientes são bombardeados de tratamentos, internações, exames, porém estudos mostram que esse excesso de procedimentos não faz diferença no tratamento final, colocando muitas vezes o paciente em risco de piora (por exemplo, excesso de tomografia pode ser prejudicial) e pode acarretar em custos maiores para o sistema. 

Nossa medicina está culturalmente baseada na medicina defensiva e isso toma uma grande parte do problema de overuse, onde na realidade o ideal seria a medicina preventiva como forma mais eficaz de se evitar o desperdício lá na frente. A consequência disso é o uso excessivo na busca de tratamentos das infindáveis doenças, a supervalorização do exame em detrimento da avaliação física ou anamnese.

O modelo de remuneração médica e a redução no tempo de atendimento atualmente praticado acabam por pressionar os custos, e isso impacta no valor do plano pago por este cliente. Essa relação não pode ser vista somente como um comércio, é necessário ver se os tratamentos indicados são pertinentes, onde o foco não deve ser o procedimento e sim tratar a necessidade de cada paciente, conhecendo a fundo a individualidade de cada um. Conversar, examinar e a partir daí, verificar a real necessidade de demandar certo tipo de procedimento/tratamento correto e individualizado, pois não existe um conjunto de exames que servem ”exatamente” para duas pessoas diferentes. O que existem são sugestões. Isso seria a assimetria entre médico e paciente.

Para que se evite o overuse, é necessário conscientização tanto dos médicos quanto da população, mudança das práticas atuais, alterações na forma de remuneração e mais discussões acerca do tema, onde fazer certo e fazer o melhor saem mais barato.


Camila Antonelli
Consultora
Strategy Consultoria Atuarial e Regulatória

 

 


Data do artigo: 07/12/2017