Raquel Marimon (Presidente Strategy) foi entrevistada pela Revista Visão Saúde | O caminho da sustentabilidade da Saúde Suplementar no país

Raquel Marimon (Presidente Strategy) foi entrevistada pela Revista Visão Saúde (nova publicação editorial da Abramge, do Sinamge e do Sinog) para expor sua opinião sobre "O caminho da sustentabilidade da Saúde Suplementar no país" , confira esta matéria:

O Caminho da Sustentabilidade


Operadoras vêm apostando cada vez mais em programas que seguem a lógica da atenção básica - uma saída necessária para garantir a qualidade de vida dos pacientes e a prosperidade dos planos de saúde.

Investir na prevenção e na atenção básica pode ser a saída para a sustentabilidade da saúde suplementar no país, afirmam
especialistas e profissionais do ramo. A possibilidade de reduzir custos, manter a saúde financeira das empresas e incentivar o uso racional dos serviços médico-hospitalares são os principais atrativos desse modelo assistencial. Além, claro, de proporcionar o bem-estar e a saúde física e mental do paciente, ajudando-o a evitar doenças, conduzindo-a melhor, por meio de atendimento, tratamento e acompanhamento adequados.

No Brasil, muitos convênios médicos oferecem ações de promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças, voltadas para públicos específicos – como idosos, doentes crônicos, mulheres, crianças, pacientes oncológicos e de serviços odontológicos. Já a oferta de planos guiados pela lógica da atenção básica – ou primária, como também é chamada – é algo mais recente, que não chega a cinco anos, e limitado a poucas operadoras. São produtos que incluem ações preventivas e de coordenação do cuidado prestado aos participantes e a seus familiares nos níveis secundário e terciário do sistema.

Estudos demonstram que em 80% dos casos em que alguém procura um serviço de saúde, o problema pode ser resolvido na atenção básica. Ela funciona como a porta de entrada preferencial no Sistema Único de Saúde (SUS) desde a sua criação, em 1990, e busca resolver questões como vacinação, pré-natal, diagnósticos clínicos, acompanhamento de doenças crônicas, saúde mental, atendimento de pequenas urgências e entrega gratuita de medicamentos. Segundo a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), do Ministério da Saúde, as questões não resolvidas são encaminhadas para consultas com especialistas e realização de exames ou hospitais, entre
outros. Apesar dos avanços que o SUS alcançou, como a ampliação do acesso aos serviços de saúde por meio da atenção primária, há críticas diversas a aspectos de ordem financeira, operacional e estrutural.

 Ainda assim, o modelo praticado no SUS é uma referência e um desafio para o setor particular de saúde. “Repensar o modelo assistencial, calcado em prover saúde e não em reparar uma condição de doença, provoca uma revolução no sistema”, afirma Raquel Marimon, presidente da Strategy Consultoria, especializada em operações de planos de saúde. Para as operadoras, na opinião da executiva, essa mudança é fator de sobrevivência, diante da forte tendência de queda na venda de planos corporativos (decorrente, entre outros fatores, do alto custo dos contratos e do peso que eles representam na folha de pagamento das empresas, principais financiadoras do sistema).

Marimon acredita que visão estratégica e planejamento são fundamentais para que um serviço de atenção básica prospere, já que o retorno financeiro demora em torno de 24 meses. “Empresas que estiverem focadas no resultado de curto prazo, em menos de 12 meses, terão dificuldade em iniciar seus projetos”, diz Marimon. “Muitas redefinem o investimento antes do final do primeiro
ciclo de aprendizado e chegam à falsa conclusão de que prevenção não traz economia.”

Da teoria à prática
Não existe uma regulamentação para planos voltados à atenção básica, mas a Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS) vem estimulando a utilização desse modelo de assistência desde 2005 (leia mais no quadro da pág. 20). “A gente está tentando mostrar a importância de criar projetos em que a pessoa seja o foco e o centrocentro do cuidado”, esclarece Martha Regina de Oliveira,
diretora de Desenvolvimento Setorial da ANS. Nos debates sobre o tema, discute-se mudar a forma de remuneração de prestadores de serviço, que seriam avaliados pelos benefícios à saúde do paciente – o pagamento por performance. Uma prática vigente é a de não cobrar a coparticipação na consulta com especialistas que foram encaminhados pelo generalista.

“A gente está tentando mostrar a importância de criar projetos em que a pessoa seja o foco e o centro do cuidado”
Martha Regina de Oliveira, diretora de Desenvolvimento Setorial da ANS


É assim que funciona um dos planos da Unimed Belo Horizonte, que tem 1,2 milhão de usuários na região metropolitana
da cidade. Trata-se do Unimed Pleno, lançado em junho de 2015 após dois anos de testes. Ele vincula o paciente a uma clínica da própria empresa e a um médico cooperado, que compartilha seus contatos pessoais com o beneficiário (celular, e-mail ou ambos) e o acompanha ao longo do tempo, com o apoio de uma equipe multidisciplinar. O direcionamento a especialistas é feito, se preciso, pelo médico de referência. Nesse caso, não é preciso pagar a coparticipação.

Segundo a cooperativa, redução nos atendimentos em pronto-socorro e aumento nas consultas agendadas – com generalistas e especialistas – são alguns dos benefícios alcançados. “Essa mudança no padrão de utilização da rede assistencial reflete em maior satisfação dos clientes”, diz Samuel Flam, presidente da Unimed BH. O plano tem mais de 34 mil usuários e apresenta preço inferior ao de outros produtos da cooperativa.

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