BRASIL ENVELHECE MAIS RÁPIDO QUE OUTROS PAÍSES

Na avaliação do economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-Rio, essa tendência não só reforça a necessidade da reforma hoje em discussão como é sinal de que outra rodada de mudanças das regras de aposentadoria será necessária daqui a alguns anos. “É muito provável que teremos que fazer uma nova reforma daqui a cinco, sete anos. O Brasil hoje é o sétimo País mais jovem da OCDE. Daqui a 50 anos, seremos o 7º mais velho da OCDE. É muito pouco tempo. Daqui a 50 anos, nossa proporção de idosos na sociedade será comparável com a do Japão, que tem 30% de idosos. O Brasil tem 11%. O Brasil gasta hoje 14% do PIB com previdência e assistência social. O Japão gasta os mesmos 14%. É inacreditável”, destacou o economista, durante o debate “E Agora, Brasil?”.
 
 
 
Outros dados reforçam essa transformação demográfica. Um levantamento divulgado ano passado pelo demógrafo José Eustáquio Alves, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence/IBGE) mostrou que o Brasil envelhece mais rapidamente que seus pares. O País deve demorar 50 anos para quadruplicar, de 7% para 28% da população, seu contingente de pessoas com mais de 65 anos. Na França, essa transformação demorará 204 anos. Estudo divulgado em 2016 pela pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Ana Amélia Camarano reforça essa tendência. Segundo as projeções da especialista, o número de pessoas com mais de 60 anos quase triplicará, de 12% para 33% da população, entre 2015 e 2050. Enquanto isso, o percentual de adultos considerados em idade ativa, de 15 a 59 anos, diminuirá de 66% para 58%. Nas contas de Camargo, da PUC, o Brasil tinha, em 1980, 13 adultos para cada idoso com mais de 65 anos.
 
 
 
Hoje, essa proporção é de nove para um. A expectativa é que essa taxa caia para apenas 2,3 em 2060. Ou seja: o número de trabalhadores na ativa que sustenta o sistema previdenciário tende a diminuir. “Nossa mudança demográfica é a mais rápida de todos os países comparáveis ao Brasil. O processo de envelhecimento dos países centrais demorou séculos. O nosso vai acontecer em poucas décadas”, pontua o economista. O freio no ritmo de concessão de benefícios é visto como saída em um país onde quem está na ativa já paga caro para financiar o sistema previdenciário. Segundo estudo do economista Pedro Nery, assessor técnico do Senado, o Brasil tem a segunda Previdência mais cara do mundo, considerando as alíquotas cobradas de empregadores e empregados. Só perde para a Itália, onde a soma das duas contribuições chega a 33%. No sistema brasileiro, a mordida é de até 31%. No Chile, a contribuição é de, no máximo, 16%, mas a maior parte (até 13%) é bancada pelo empregado.


Data da notícia: 02/02/2018

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